A criação de condições para transformar projetos de conservação ambiental em oportunidades de investimento foi um dos principais temas da participação do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) na COP17 da Biodiversidade, em Yerevan, na Armênia, nesta quinta (22) e sexta-feira (23). Representantes da instituição participaram de debates sobre mecanismos financeiros, integridade dos mercados de créditos de biodiversidade e formas de avaliar os impactos das atividades econômicas sobre a natureza.
Uma das discussões centrais ocorreu na quinta-feira, durante o painel “Da conformidade à classe de ativos: como viabilizar investimentos em conservação compensatória”, promovido pela Iniciativa Financeira do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP FI) e pela rede internacional C2S2. O encontro reuniu investidores e desenvolvedores de projetos para examinar os obstáculos à ampliação dos mercados de créditos de biodiversidade.
A gerente adjunta para Inovação e Sustentabilidade do BRDE, Viviane Linhares, participou do painel ao lado de representantes da seguradora e gestora de investimentos AXA e da britânica Environment Bank. A discussão abordou experiências de financiamento de bancos de habitats, mecanismos que permitem compensar determinados impactos ambientais mediante investimentos em conservação e recuperação de ecossistemas.
Entre os requisitos apontados para atrair investidores institucionais estão a estabilidade regulatória, a segurança jurídica, a previsibilidade de receitas e a comprovação dos benefícios ambientais ao longo do tempo. O encontro também marcou a apresentação de um estudo da UNEP FI sobre as condições necessárias para investimentos em mecanismos de conservação compensatória.
“Para atrair capital privado, os projetos precisam combinar resultados ambientais consistentes com segurança jurídica e previsibilidade financeira. A credibilidade desses mecanismos depende de regras claras e da capacidade de demonstrar benefícios efetivos para a biodiversidade”, afirma Viviane.
Também na quinta-feira, o BRDE participou da programação do Nature Finance Hub, em um debate sobre mecanismos inovadores para ampliar os recursos destinados à conservação e reverter a perda de biodiversidade. O encontro reuniu representantes do Instituto LIFE, Vale e BNDES, entre outras instituições.
Outro painel examinou a construção de confiança nos mercados de créditos de biodiversidade, com foco em integridade ambiental, governança e desenvolvimento de instrumentos capazes de atrair recursos sem comprometer os objetivos de conservação.
Nesta sexta-feira (23), a agenda prosseguiu com o encontro “Business & Biodiversity Assessment in Practice”, dedicado à aplicação prática das avaliações científicas sobre as relações entre empresas e natureza. A discussão reuniu representantes do Secretariado da Convenção sobre Diversidade Biológica, do IPBES, do UNEP-WCMC e do Instituto LIFE.
O debate parte do reconhecimento de que as empresas não apenas provocam impactos sobre os ecossistemas, mas também dependem de serviços ambientais, como disponibilidade de água, fertilidade do solo e regulação do clima. A incorporação dessas relações à gestão empresarial é considerada necessária para aperfeiçoar a avaliação de riscos e orientar investimentos.
“A biodiversidade precisa ser considerada nas decisões econômicas com o mesmo rigor aplicado a outros fatores de risco. O avanço das metodologias de avaliação permite identificar impactos e dependências que antes ficavam fora do planejamento das empresas”, afirma a gerente de Planejamento do BRDE, Lisiane Astarita.
Para o chefe do Departamento de Parcerias e Inovação, Marcelo do Canto, a discussão também evidencia o papel das instituições de desenvolvimento na aproximação entre conhecimento científico e instrumentos financeiros.
“O desafio é estruturar projetos capazes de mobilizar recursos em escala, com resultados ambientais verificáveis. Isso exige cooperação entre governos, instituições financeiras, empresas e organizações especializadas”, afirma.
O BRDE integra a Coalizão LIFE de Negócios e Biodiversidade e é signatário dos Princípios para a Responsabilidade Bancária da UNEP FI. A instituição participa da COP17 com uma agenda voltada ao aperfeiçoamento de mecanismos financeiros para conservação e ao intercâmbio de experiências internacionais que possam contribuir para sua atuação no Brasil.
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