A necessidade de ampliar os investimentos em conservação e incorporar os riscos ambientais associados às decisões financeiras está no centro da participação do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) na COP17 da Biodiversidade, que começou nesta semana e segue até 30 de outubro, em Yerevan, na Armênia. O banco apresenta na ocasião sua experiência com instrumentos de financiamento sustentável, tais como as iniciativas do Banco Verde BRDE e do Fundo Verde e de Equidade.
A conferência das Nações Unidas realiza a primeira avaliação global dos avanços do Marco da Biodiversidade de Kunming-Montreal, aprovado em 2022. Entre suas 23 metas para 2030 está a mobilização de pelo menos US$ 200 bilhões anuais para a biodiversidade, provenientes de fontes públicas e privadas. A discussão envolve tanto a ampliação dos recursos quanto a criação de condições para que a conservação seja considerada nas decisões de investimento.
“O papel dos bancos de desenvolvimento é aproximar os compromissos ambientais das necessidades concretas de financiamento. Temos condições de combinar crédito, parcerias e instrumentos de apoio a projetos para fazer com que a conservação também integre as estratégias de desenvolvimento econômico”, afirma o diretor-presidente do BRDE, Heraldo Neves.
A atuação do BRDE nessa agenda está organizada no Banco Verde, estratégia institucional estruturada em três eixos: redução dos impactos ambientais das próprias operações, apoio financeiro a projetos socioambientais por meio do Fundo Verde e de Equidade e incentivo a investimentos sustentáveis mediante operações de crédito.
Instituído em 2022, o Fundo Verde e de Equidade apoia projetos de proteção e restauração da biodiversidade, segurança hídrica, adaptação climática, economia circular, agropecuária sustentável e inclusão econômica. Ao contrário das linhas tradicionais de financiamento, o instrumento permite apoiar iniciativas que apresentam benefícios ambientais e sociais, mas nem sempre encontram condições adequadas de financiamento no mercado de crédito.
O fundo participa de iniciativas nos três estados. Entre elas estão projetos de soluções baseadas na natureza para adaptação climática, ações de recuperação de áreas afetadas pelas enchentes no Rio Grande do Sul, estudos sobre saneamento em Santa Catarina e experiências de remuneração pela conservação ambiental no Paraná. Em parceria com instituições de pesquisa, organizações ambientais e governos, o BRDE busca desenvolver modelos que possam ser replicados em diferentes territórios.
“Um dos desafios é construir instrumentos financeiros adequados à natureza de cada projeto. Investimentos em biodiversidade exigem avaliação de resultados, horizonte de longo prazo e articulação entre diferentes fontes de recursos. Essa combinação é fundamental para ampliar a escala das iniciativas”, explica o diretor de Planejamento do BRDE, Leonardo Busatto.
Na COP17, o banco integra a delegação da Coalizão LIFE de Negócios e Biodiversidade, da qual participa desde 2023. Também é signatário dos Princípios para a Responsabilidade Bancária, iniciativa vinculada ao Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, por meio da UNEP FI.
O BRDE é representado por Lisiane Astarita, gerente de Planejamento, Viviane Linhares, gerente adjunta para Inovação e Sustentabilidade, e Marcelo do Canto, chefe do Departamento de Parcerias e Inovação.
Entre as experiências levadas à conferência está um projeto-piloto de créditos de biodiversidade desenvolvido no Paraná, com sete Reservas Particulares do Patrimônio Natural selecionadas e previsão de até R$ 2 milhões para aquisição de créditos associados à conservação, condicionada à comprovação dos resultados ambientais.
“Para transformar a biodiversidade em uma agenda de investimentos, precisamos desenvolver projetos com resultados verificáveis, segurança jurídica e condições de atrair recursos privados. A cooperação internacional permite conhecer experiências que podem contribuir para o aperfeiçoamento desses instrumentos no Brasil”, afirma Marcelo do Canto.
A participação na COP17 insere essas iniciativas na discussão internacional sobre o papel do sistema financeiro na proteção dos ecossistemas. Para o BRDE, a agenda representa uma oportunidade de ampliar parcerias e aperfeiçoar instrumentos que associem preservação ambiental, competitividade econômica e desenvolvimento regional.
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