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Combate às desigualdades terá melhor efeito com investimentos focados na infância, indica Pedro Nery

Data22/09/21
|CategoriaNotícias

Convidado da 3ª edição do BRDE Cenários, consultor econômico avaliou impactos da pandemia na renda das famílias mais pobres

Mesmo com uma alta carga tributária e gastos sociais em bom volume, o Brasil não consegue enfrentar o problema histórico das desigualdades de renda das famílias. Uma das saídas apontadas pelo consultor econômico do Senado, Pedro Fernando Nery, é destinar maiores investimentos na infância, a exemplo de países que criaram um incentivo universal infantil. “Numa comparação global, o Brasil está ente os mais desiguais e o estado brasileiro acaba gastando muito com quem ganha mais e gasta pouco, com as famílias que ganham menos. Ou seja, uma estrutura de proteção social que não está bem calibrada”, apontou ele, durante participação na terceira edição do BRDE Cenários, nesta quarta-feira (22/9).

Uma das razões para o Brasil não superar a desigualdade, na visão de Pedro Nery, é o gasto público muito baixo na infância em comparação a outras nações. “Existe uma carência enorme por creches e pré-escola no país e precisamos de programas de transferência de renda para famílias com filhos, e não apenas para as mais pobres. Toda a criança teria o direito de receber um auxílio, salvo aquelas muito ricas”, insistiu.

O retorno para o investimento público na infância se reflete nas diferentes fases da vida adulta, sendo um cidadão adulto mais produtivo, gerando bens e serviços, acrescentou o consultor econômico. “Investir na infância e na primeira-infância, em particular, representa uma quebra estrutural da pobreza”, resumiu.

Conforme um estudo que apresentou na sua palestra, Pedro Nery demonstrou que o país convive com um contingente estimado em 17 milhões de crianças e jovens que estão fora das políticas de proteção social. “Existe esse fosso de cobertura para as crianças brasileiras que não se encontram entre aquelas tão miseráveis a ponto de estarem no Bolsa Família ou entre as mais ricas, que declaram Imposto de Renda e que acaba, pelo modelo de dedução, recebendo uma transferência em média de R$ 50 por mês”, descreveu.

Consultou avaliou impactos da crise entre os mais pobres

Com o tema “Desigualdade em V”, a palestra de Pedro Nery abordou os impactos da pandemia na renda das famílias e o quanto o programa Auxílio Emergencial conseguiu marcas históricas na redução da pobreza e da extrema pobreza no país. Ele demonstrou, no entanto, que a redução do valor de ajuda federal representa um retorno muito acentuado da situação anterior. “A crise atingiu as famílias de forma muito desigual. É uma verdadeira ´montanha russa´ na vida dos mais pobres”, lamentou. Pedro Nery lembrou que uma fatia da população que trabalhava no mercado informal hoje está vivendo uma situação de “desemprego oculto”, algo entre 10 a 12 milhões de pessoas.

Promovido pelo Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), o ciclo de palestras tem por finalidade abordar temas sobre a conjuntura econômica e fiscal do país, tendências de mercado e o papel das instituições de fomento. Na abertura do evento, a diretora-presidente, Leany Lemos, destacou que o banco tem na sua missão um olhar atento para a questão social. “É importante debater como um banco de fomento deve se interessar no tema da desigualdade e mitigar esse problema do país”, frisou a presidente.

A palestra teve transmissão no canal de Youtube do banco e segue disponível para que não acompanhou ao vivo: https://www.youtube.com/watch?v=VAJ6MeViIzM


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