BRDE

* Matéria da Band News Curitiba – 96,3 FM

Mais de quatro bilhões de reais de recursos devem ser aplicados neste ano no Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul, o BRDE, nos três estados da região sul. A boa expectativa vem do resultado atingido no ano passado, que superou a meta de 2021. Só no Paraná foram movimentados um bilhão e quatrocentos milhões de reais de contratações. Com esses números, o banco atingiu resultado 15% superior do volume previsto. De acordo com o presidente do BRDE, Wilson Bley Lipski, o desafio agora é procurar outros meios de oferecer mais formas de créditos aos paranaenses.

Ele ressalta que o Governo do Estado, empresas, cooperativas, a indústria e as operações do BRDE contribuem para dar potência ao fomento de negócios e serviços, especialmente depois do período mais crítico causado pela pandemia.

Os setores de comércio/serviço representaram 32,5% dos contratos firmados no BRDE Paraná, enquanto agropecuária atingiu em torno de 29%; a indústria chegou a 20% e infraestrutura próximo aos 17%.

No Paraná, 177 startups se inscreverem no programa do BRDE em 2021 com foco na indústria; esse ano o tema será ESG

 

O programa do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), que une empresas e startups a fim de acelerar o desenvolvimento do Paraná teve como destaque um modelo de gestão que é tendência: a inovação aberta. “O objetivo desse modelo é promover a colaboração com pessoas e organizações externas à empresa, expandindo os horizontes dos negócios, assim como propõe o BRDE Labs”, explicou o presidente do BRDE, Wilson Bley Lipski.

Cada ano, o programa tem um tema central que guia a escolha das empresas e, consequentemente, das startups. Em 2021, o foco foi a indústria do Paraná. As startups inscritas apresentaram propostas para nove empresas âncoras, que testaram as soluções dentro do próprio sistema. Até o momento, dois contratos foram assinados e sete estão em fase de negociação. Em 2022, o tema será ESG – Environmental, Social and Governance (Ambiental, Social e Governança, em português).

A experiência do BRDE Labs foi um divisor de águas na história da Specrux. A startup da área de monitoramento e processamento de dados, incubada na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), trabalhou em conjunto com a empresa âncora Enaex, líder em produção de explosivos e serviços de fragmentação de rocha. Ambas apontam a valorização da inovação aberta como ponto forte do programa.

 

Equipe da Specrux | Foto: divulgação

 

“Além de todas as mentorias que o programa nos forneceu gratuitamente, o contato com a Enaex foi um casamento perfeito: eles tinham problemas complexos, nós tínhamos vontade e técnica para resolvê-los”, conta Conrado Chiarello, cientista de dados da Specrux.

O desafio proposto pela Enaex foi testar a tecnologia de monitoramento da Specrux do nível de explosivos em diversos tanques. “Temos mais de 50 tanques em que fazemos as inspeções manualmente, e com o BRDE Labs aprovamos uma tecnologia que torna possível acompanhar esses dados à distância. A tecnologia já está validada e agora a gente precisa estabilizar um projeto padrão para digitalizar todos os nossos tanques estacionários, é isso que estamos fazendo”, explica Antoine Moreau, Líder de Inovação na Enaex Brasil.

Além disso, Antoine acredita que o BRDE cumpre seu papel como apoiador da inovação no Paraná e no Brasil ao ter programas que unem empresas e startups, ajudam a identificar problemas e encontrar soluções e viabilizam financeiramente projetos inovadores. “Nesse caso, empresas como BRDE são fundamentais. São agentes do ecossistema que, sem eles, o país conseguiria rodar um conjunto muito menor de projetos estratégicos. “A lógica do BRDE Labs é uma lógica vencedora”, conclui.

 

Local onde o sistema de monitoramento de dados foi instalado. O Sistema é composto por um módulo de energia elétrica, baseado em captação de energia fotovoltaica. A energia elétrica é direcionada para alimentação do sensor instalado em nossa área de tanques estacionários | Foto: divulgação

 

O projeto está em fase de contratação de um MVP (Minimum Viable Product = Produto Mínimo Viável), um modelo com o projeto detalhado e padronizado para instalar a tecnologia nas 50 unidades. As quatro primeiras serão instaladas até o final de junho | Foto: divulgação

 

Criado com o objetivo de acelerar o ambiente de inovação da Região Sul do Brasil, o BRDE Labs une empresas consolidadas a startups que possuem soluções inovadoras. Apenas em 2021, no Paraná, o programa teve 177 startups inscritas; 18 delas passaram pela fase de pré-aceleração e nove, pela de aceleração.

O objetivo central do programa é estimular a inovação, com isso, o BRDE Labs do Paraná também atuou na formação de profissionais. No último ano, foram 54 horas de treinamento, mais de 150 pessoas formadas e mais de 20 horas de conteúdos conduzidos por 27 palestrantes e transmitidos por lives que tiveram mais de 4 mil espectadores. Os participantes destacaram a mudança de paradigma que essa experiência em inovação aberta provocou para as empresas.

 

Acelerando a inovação: Hotmilk

O BRDE Labs 2021 foi desenvolvido em parceria com a Hotmilk, aceleradora da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). Trabalhar com ideias embrionárias, que buscam solucionar problemas, necessidades e desejos das pessoas e de outras empresas é o foco de uma aceleradora.

“Empresas que trabalham com aceleração de startups têm uma importância gigante para inovação, não apenas no Paraná, mas em todo o território nacional e arrisco dizer, que também em todo o planeta. É através da empresa aceleradora que empreendedores buscam parceria para validar e desenvolver seus negócios. Contando com um ecossistema repleto de diversidade e apoio, as empresas aceleradoras são verdadeiros motores de inovação”, sintetiza João Paulo Moreira, Head de Open Innovation da Hotmilk.
No programa do BRDE, a empresa foi responsável por formar os profissionais através das lives e mentorias e aproximar as startups das grandes empresas participantes do programa para solucionar os desafios listados. Por outro lado, João Paulo destaca que a participação no BRDE Labs representou mais um degrau no caminho da empresa rumo à inovação aberta.

 

Foto: divulgação

 

“Entre as vantagens dessa participação está a conexão entre as pessoas, novas empresas, startups… Cada movimento que fazemos de inovação aberta aumenta o nosso leque de transformação, que é o que queremos: levar cada vez mais transformação positiva através da inovação”, acredita.

 

Aperfeiçoamento de processos e novas parcerias: experiência Agidesk

O BRDE Labs intensificou a expansão da startup de Porto Alegre, focada em soluções odontológicas. Criada há 2 anos, a Agidesk é especialista no gerenciamento de processos de Tecnologia da Informação, Recursos Humanos, Marketing, Manutenção, Jurídico e Financeiro. A partir do programa, a startup fechou negócio com a Ibema, indústria de papéis da região.

“Fizemos a implantação do sistema inicialmente na área de TI e após apenas 2 semanas rodando a solução, fomos procurados por outras áreas de negócios que também tiveram o interesse no gerenciamento de processos e atendimentos nos seus departamentos”, conta Veridiana Caveiro, co-fundadora da Agidesk.

O programa permitiu ainda o aperfeiçoamento de processos já existentes na empresa, mas que passaram por um redesenho com a ajuda de experientes mentores que participaram do BRDE Labs. Por fim, a participação da startup também foi importante para ampliar a aproximação com outras empresas consolidadas do Paraná, que compõem o ecossistema de inovação do Estado.

Mais sobre BRDE Labs neste site.

“Nós fazemos Cultura” recebeu suporte do BRDE via Lei de Incentivo à Cultura para as edições de 2021 e 2022

Música e Literatura fazem parte da realidade dos moradores do bairro Guarituba, em Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba, há pelo menos 10 anos. Isso porque o projeto desenvolvido pela Associação Beneficente São Roque (ABSR), “Nós fazemos Cultura”, foi contemplado pelo Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), via edital de Leis de Incentivo, nas edições de 2021 e 2022.

Todos os anos, cerca de 140 crianças e jovens têm a oportunidade de viver experiências artísticas por meio da música, no Coro e Orquestra Gato na Tuba e em turmas de musicalização infantil, a partir dos seis anos de idade. E em Literatura, a associação realiza ações na Biblioteca Monteiro Lobato, que possibilita o acesso a diversas obras, assim como, incentiva à leitura com os grupos “Adora Ser” e “Contasonhos”, dos quais participam cerca de 60 crianças e jovens.

A diretora da ABSR, Anna Thais Fuck, afirma que a mudança é notável, com a continuidade desse projeto na comunidade. “No início, não havia muita adesão das famílias ao projeto e hoje isso mudou completamente. Nosso teatro está sempre cheio nas apresentações. E recebemos relatos dos pais sobre a mudança de comportamento de seus filhos com os familiares e na escola. Acreditamos que trabalhar cultura e arte, em qualquer lugar, transforma vidas”, relata a diretora.

Como, por exemplo, a vida da estudante Lavínia Antunes da Silva, 14 anos, violoncelista e soprano do coral, que conheceu o projeto pelas irmãs, há oito anos. “Essa experiência com o grupo me faz sentir como se estivesse na minha casa e me inspira com muita alegria”, comemora. Já o jovem Pedro Kauan da Silva, 15 anos, está há nove anos no Gato na Tuba e conheceu o projeto, quando viu um cartaz na escola que estuda no Guarituba. “Para mim, participar do coral definiu minha escolha para o futuro, a música”, afirma.

Ao fim de cada ano, a associação promove o “São Roque Aplaude”, evento em que os jovens artistas em formação sobem no palco e mostram o que aprenderam. No ano passado, por conta da pandemia de Covid-19, a associação optou por produzir uma obra audiovisual, “2021: Uma nova Odisseia no Espaço”, inspirada na música de David Bowie, além de clássicos do cinema como: “Star Wars”, “Star Trek”, “Mad Max” e “2001: Uma Odisseia no Espaço”, filme do diretor Stanley Kubrick. Toda a trilha sonora foi executada pelo Coro e Orquestra Gato na Tuba e o atores foram os jovens que participam do projeto. O filme está disponível no canal da associação no Youtube, assista aqui.

Além do projeto na área cultural, a associação mantém trabalhos de assistência social como o Programa Alcance, que atende 170 famílias totalizando 700 pessoas entre adultos, jovens e crianças para quem são repassadas 3 toneladas de alimentos mensalmente, em 3 Núcleos de Piraquara: Guarituba, Bela Vista e Santa Mônica. São realizadas visitas com frequência, palestras educativas sobre direitos e deveres, higiene e saúde. Outra ação é a oferta de curso de corte e costura e de bordado.

APOIO BRDE

Em 2021, o banco destinou R$ 4,6 milhões, por meio das leis de incentivo fiscal, igualmente distribuídos entre Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. No Paraná, 37 projetos receberam apoio no valor de aproximadamente R$ 1,8 milhão. “Essa é uma política instituída no banco que, por meio de chamamento público, escolhe bons projetos sociais e culturais para serem apoiados por nossos incentivos. Dessa forma estamos devolvendo à sociedade um pouco daqueles resultados que o banco tem e fazendo com que haja promoção social para todos”, explica o diretor-presidente do BRDE, Wilson Bley.

Linhas de financiamento ágeis e fomento ao comércio e ao turismo impactados pela pandemia, injetaram mais de R$ 80 milhões na região em 2021

As contratações com o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), no Litoral e Região Metropolitana na pandemia (2020-2021), cresceram em torno de 90% na comparação de 2021 com 2019, ano pré-pandemia. Foram mais de R$ 80 milhões injetados na região, neste último ano para o setor de Comércio e Serviços. Em todo o Paraná, esse mesmo segmento representa 32,5% dos contratos firmados no ano passado, que teve no total R$ 1,4 bilhão de contratações em todo o estado.

O empresário Leonardo Bassetto acredita que “projeto ambiental precisa ser viável e funcional”. Proprietário do Supermercado Baia Azul, em Guaratuba, no litoral paranaense, Bassetto está com unidades nos bairros Coroados e Piçarras com implantação de sistema gerador solar fotovoltaico, que segundo ele é inédito na região.

Com recursos captados da Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD), o BRDE trabalha essa linha de financiamento para projetos de impacto social e ambiental. “Fomentar os negócios no litoral do Paraná com projetos e linhas de crédito ágeis e de acordo com os Objetivos de Desenvolvimentos Sustentável (ODS) é possível, viável e o banco pretende ampliar essas ações para expandir a economia nessa região tão importante do Paraná”, comentou o presidente de BRDE, Wilson Bley.

Desde novembro, começaram as instalações das placas de energia solar das unidades do Supermercado Baia Azul, que funciona em Guaratuba desde 1998. Bassetto explicou que o projeto é executado em etapas e que até março deve estar com a cobertura do estacionamento de uma das unidades já concluída. “Esse projeto vai atender 35% da nossa geração total da rede, um projeto-piloto, pois a ideia no futuro é que as próximas lojas sejam estruturadas com 100% da energia solar, sem depender de rede externa. O apoio do BRDE foi excelente, com a menor taxa (euro) bem mais estável e tem pouca oscilação. Então esse financiamento vai representar 50% do que estaremos gerando de energia, além de economia para o empreendimento, utilizamos uma fonte renovável” analisou o empresário.

Nos últimos dois anos, outras empresas no litoral também receberam recursos para investimentos e capital de giro, em ações de apoio a empresas na pandemia dentro do premiado programa BRDE Recupera Sul. Os investimentos em negócios ligados ao Turismo nesse período, foram apoiados com o Fungetur, uma linha de crédito exclusiva para o setor de turismo, com taxas diferenciadas e prazos e carência mais longos.

Para saber mais sobre os programas e linhas de crédito no litoral ou Região Metropolitana de Curitiba, acesse este link ou fale direto com a equipe BRDE pelo WhatsApp.

Projeto: Cuidar e Educar Centro de Educação Infantil Bom Pastor | Proponente: Ação Social do Paraná | Helton L. Moreira – Comunicação ASPR

 

O Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) destinou R$ 4,6 milhões, em 2021, para projetos que beneficiam públicos de todas as idades com ações educativas, culturais, esportivas e de assistência social. O aporte foi realizado por meio das leis de incentivo fiscal e igualmente distribuído entre Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Nos últimos seis anos, o montante aplicado pelo banco na região Sul pelos mecanismos de renúncia fiscal ultrapassou a marca de R$ 22 milhões.

O diretor-presidente do BRDE, Wilson Bley, considera que a postura de destaque do banco em relação aos projetos sociais causa impactos positivos na sociedade e cumpre com o propósito do trabalho. “O compromisso do BRDE é transformar o futuro e tornar o mundo um lugar melhor. É por isso que investimos, cada vez mais, em projetos que contribuem para essa mudança”, destacou.

A cada ano, o banco recebe inscrições, exclusivamente em meio eletrônico, para projetos que já tenham obtido aprovação oficial para captar recursos por meio dos seguintes mecanismos: Lei Federal de Incentivo à Cultura/Lei do Audiovisual; Lei Federal de Incentivo ao Esporte; Fundos da Infância e da Adolescência; Fundo Nacional do Idoso; Programa Nacional de Apoio à Atenção Oncológica (PRONON) e Programa Nacional de Apoio à Atenção da Saúde da Pessoa com Deficiência (PRONAS).

As iniciativas apoiadas qualificam equipes e programações de entidades que prestam atendimento a crianças, jovens e idosos; promovem atividades de educação pelo esporte e competições que valorizam atletas; permitem a aquisição de equipamentos para hospitais, creches e asilos; estimulam a produção e a distribuição de livros para escolas e bibliotecas públicas; possibilitam apresentações de dança, música, artes visuais e cênicas, bem como a valorização do patrimônio arquitetônico e histórico, e ajudam a manter programações anuais de instituições como museus, centros de cultura e orquestras, entre outras.

Para conhecer os projetos apoiados em cada estado, clique nos links abaixo:

Rio Grande do Sul 

Santa Catarina 

Paraná

 

 

“Narrativas e Poéticas do Mate” foi a principal iniciativa do Espaço Cultural BRDE em 2021, em cooperação com o MUPA, Associação de Amigos de Alfredo Andersen e a Superintendência da Cultura.

Numa parceria com o Museu Paranaense (Mupa), Associação de Amigos Alfredo Andersen e Superintendência-Geral da Cultura do Paraná, o Espaço Cultural BRDE – Palacete dos Leões manterá em cartaz até maio de 2022 a exposição “Narrativas e Poéticas do Mate”, como parte do “Circuito Ampliado: Acervos em Circulação”. Também integra o mesmo programa “Eu Memória, Eu Floresta: História Oculta”, no Museu Paranaense, sem data de encerramento.

O programa “Circuito Ampliado: Acervos em Circulação” nasceu da cooperação entre o MUPA e a instituição cultural mantida pelo Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE). O objetivo é a integração entre diferentes instituições a fim de incentivar a pesquisa em acervos, estimular novos recortes curatoriais e ampliar o acesso de públicos diversos com a movimentação dessas coleções por outros centros expositivos.

O primeiro projeto foi a série de exposições sobre o contexto histórico e cultural da erva-mate no estado do Paraná. Em fevereiro de 2021, foi inaugurada da exposição de longa duração “Eu Memória, Eu Floresta: História Oculta”, composta por obras, objetos e documentos históricos relacionados à erva-mate sob a perspectiva dos saberes e usos dos povos indígenas do Sul, em cartaz no MUPA.

Foto: Divulgação

Detalhe da exposição “Eu Memória, Eu Floresta: História Oculta” no MUPA.

A coordenadora do Espaço Cultural BRDE, Rafaela Tasca, explica que o interesse em receber no Palacete dos Leões, os retratos originais, executados pelo pintor Alfredo Andersen, dos primeiros moradores do edifício histórico, Agostinho Ermelino de Leão Junior e Maria Clara Abreu de Leão, fundadores da empresa Matte Leão, desencadeou o processo de planejamento desse projeto, resultando na exposição “Narrativas e Poéticas do Mate”.

“Uma característica desse projeto sobre a erva-mate foi o envolvimento da nossa equipe no processo de planejamento e curadoria, algo realizado anteriormente em ocasiões como as mostras do acervo de obras do BRDE. A partir de nossos 15 anos de atuação, passamos a incluir na programação mais ênfase no contexto histórico-cultural ligado à existência do Palacete”, ressaltou a coordenadora.

“Narrativas e Poéticas do Mate” foi dividida em eixos temáticos ambientados ao longo das salas do Palacete do Leões. O eixo denominado “Trânsitos Culturais” apresenta rótulos e medalhas concedidos às comissões paranaenses em feiras internacionais e industriais. Entre elas, a Exposição Internacional da Filadélfia de 1876, que contou com a presença do imperador Dom Pedro II. Além da Filadélfia (Pensilvânia), Rio de Janeiro, Turim (Itália) e Bruxelas (Bélgica) foram alguns dos destinos da erva-mate paranaense.

Nessa sala também são apresentados rótulos ervateiros provenientes do acervo do MUPA. Conforme explicação da pesquisadora Cecília Bergamo, que compôs a equipe de curadoria, esses rótulos foram peças que, apesar de sua existência efêmera, foram fundamentais na construção de um imaginário ervateiro. “O surgimento da indústria litográfica e a utilização dessa nova técnica, menos artesanal, garantia volume e novos recursos visuais, com formas e cores modernas”, explicou a pesquisadora.

Foto: Marcelo Almeida

À esquerda, pesquisadora Cecília Bergamo e à direita, a coordenadora do Espaço Cultural – BRDE, Rafaela Tasca.

A sala botânica apresenta duas exsicatas (exemplar vegetal dessecado prensado) de Ilex paraguariensis coletadas pelo professor Gerdt Hatschbach, provenientes do acervo do Museu Botânico de Curitiba, além de um exemplar do livro do naturalista francês Auguste de Saint-Hilaire traduzido por David Carneiro e uma obra sonora com memórias ervateiras. As duas salas seguem abertas à visitação no Palacete dos Leões.

Integraram essa primeira fase do programa, além das exposições já citadas, outras mostras de curta duração como “Andersen e a Erva-Mate”, com paisagens, retratos e outras cenas realizadas pelo pintor Alfredo Andersen, e a instalação site-specific “Verde é o Verde” da artista Eliane Prolik. Essa última estimulou os sentidos da visão e do olfato com dois grandes blocos cobertos com folhas de erva-mate que exalavam o aroma característico e, ao longo dos dias, foram perdendo o verde e assumindo o tom marrom.

O objetivo desse projeto foi ampliar as percepções sobre o patrimônio ervateiro a partir da perspectiva histórica, antropológica, artística e cultural. O programa propôs uma pluralidade de ações, desenvolvendo a curadoria das duas exposições, além de uma série de podcasts com entrevistas com pesquisadores sobre a erva-mate, disponíveis nas redes sociais do MUPA e do Espaço Cultural BRDE – Palacete dos Leões.

Outras parcerias

A pandemia de Covid-19 provocou a suspensão de atividades de centros culturais e museus em 2020, porém, com a diminuição de casos e decretos menos restritivos de circulação de pessoas, a partir de agosto de 2021, o Palacete dos Leões adotou o retorno gradual às atividades, com agendamento de visitas pela internet e certificação de boas práticas dos protocolos sanitários, com intuito de preservar a segurança dos colaboradores e de seus visitantes.

Em Agosto, foi realizada a reabertura com as exposições “O Que Resta”, individual da artista Teca Sandrini e “Mãe Mar” da artista Lívia Fontana, ambas selecionadas pelo Programa de Artes Visuais.

O calendário de exposições foi encerrado com a “I Mostra Visões da Arte”, com obras de artistas associados a duas entidades culturais do Paraná, ACCUR e APAP/PR, e correalizado pelo BRDE e a Associação Comercial do Paraná.

O Palacete dos Leões sediou ainda o Encontro Estadual de Cooperativistas Paranaenses 2021 promovido pela OCEPAR e duas atividades que celebraram a atuação com a juventude: a reunião do Conselho da Juventude do Paraná e do Youth Action Hub – CWB, iniciativa vinculada a ONU e alinhada aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável e à divulgação da Agenda 2030.

No conteúdo online destaca-se a produção de vídeos exclusivos para acesso remoto de professores da rede municipal de ensino durante a 12ª. Semana de Arte, Cultura e Literatura da Secretaria Municipal de Educação de Curitiba, com ênfase em conteúdos sobre artes visuais, arquitetura e patrimônio cultural.

SERVIÇO

Programa Circuito Ampliado – Acervos em Circulação

Narrativas e Poéticas do Mate
Até maio de 2022
No Espaço Cultural BRDE – Palacete dos Leões
Horário de visitação: de terça a sexta (14h às 17h), somente mediante agendamento: www.brde.com.br/palacete
Av. João Gualberto, 570, Alto da Glória – Curitiba
Entrada gratuita

Eu Memória, Eu Floresta: História Oculta
Sem data de encerramento
No Museu Paranaense (MUPA) – Sala 11
Horário de visitação: de terça a sexta (9h às 17h30); sábados, domingos e feriados (10h às 16h)
Rua Kellers, 289, Alto São Francisco – Curitiba
Entrada gratuita

Foram R$ 220 milhões em investimentos do banco para projetos da cooperativa na última década

Os 70 anos do Distrito de Entre Rios, em Guarapuava, são celebrados com a inauguração do Centro de Eventos Agrária nessa primeira semana de janeiro, com uma programação especial da cooperativa, parceira do BRDE (Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul) – há quase 30 anos. Na última década, o banco financiou projetos na ordem de R$ 220 milhões para investimentos da Agrária e há estimativas de outros negócios em 2022.

Para o diretor-presidente do BRDE, Wilson Bley Lipski, a Agrária representa “o fomento em produções relevantes para o Paraná, especialmente no setor de maltaria, com financiamentos do banco em região próspera, como seus fundadores de etnia e cultura germânica”.

O vice-Presidente da Cooperativa, Manfred Majowski fez uma retrospectiva da parceria com o BRDE e dos 70 anos de Entre Rios, que se mistura com a cooperativa. “Começamos o evento nessa quarta-feira (05) com homenagem aos nossos pioneiros, pois graças a persistência deles, o que temos hoje se tornou possível. A importância dos parceiros foi fundamental, a exemplo do BRDE um dos apoiadores da cooperativa Agrária, com investimentos em projetos fundiários, sempre está presente, acreditando na cooperativa e na comunidade”, analisou. Segundo Manfred Majowski, com o novo Centro de Eventos da Cooperativa Agrária, que terá a presença do governador Carlos Massa Ratinho Júnior, “oferecemos mais estrutura para atender clientes, fornecedores e clientes, que podem usufruir desse local, mudando o padrão da Agrária para um local mais adequado”.

Foto: Almir Junior

Detalhe da fachada do novo Centro de Eventos Agrária. Foto: Almir Junior

O investimento do novo centro de eventos foi de R$ 50 milhões, cuja metade do valor foi custeado pelos cooperados e os outros 50% pela Cooperativa. A obra de 12 mil m² está às margens da PR-540, no trecho que liga as colônias Jordãozinho e Vitória.

A Cooperativa Agrária foi fundada em 1951 no município de Guarapuava/PR por Suábios imigrantes do Danúbio, povo de etnia e cultura germânicas. A cooperativa conta com aproximadamente 1500 colaboradores e 640 cooperados. Vale destacar sua produção de malte cervejeiro, com três maltarias em Entre Rios. Há projetos para a quarta fábrica em Ponta Grossa, com a participação das cooperativas Castrolanda, Frísia, Capal, Bom Jesus e Coopagrícola, com financiamento do BRDE.

A programação começou nessa quarta-feira (05) e encerra no domingo (09). Mais informações a respeito no site https://70anosentrerios.com.br/

Banco dispõe de linha de crédito para empresas de porte micro, pequeno e médio

Pesquisa e tecnologia foram os segmentos incrementados pelo Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), a fim de concretizar o sonho da farmacêutica Ana Carolina Winkler Heemann, co-fundadora da Heide Extratos Vegetais, localizada em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba.

Ao testemunhar que o BRDE foi a instituição que permitiu levar seus projetos adiante, durante o evento da FIEP – Bússola da Transformação Digital para Indústrias, Ana Carolina recebeu financiamento direto via Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), por meio do BRDE, que executa o repasse dos recursos em inovação digital para empresas de porte micro, pequeno e médio.

“O BRDE dispõe de várias linhas de crédito para transformação digital, mas a mais vantajosa são as relacionadas com recursos da Finep, a Inovacred do BRDE, operadora desse repasse, com empresas de receita de até R$ 90 milhões anuais”, explicou Lisiane Maldaner Astarita de Limas, gerente de Planejamento Novos Negócios.

Papel Fundamental

Em seu relato, Ana Carolina fez questão de ressaltar a importância de investimentos em pesquisa, pelo programa do BRDE. “Nosso trabalho tem por meta desenvolver produtos, a partir da necessidade da indústria. Somos o elo da cadeia produtiva, no segmento de alimentos, bebidas (chás e erva-mate) e cosméticos, com o foco em aproveitamento e valorização da biodiversidade brasileira”, detalhou a pesquisadora e empresária.

Fachada da Heide Extratos Vegetais, localizada em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba.

Fachada da Heide Extratos Vegetais, localizada em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. Crédito: heide.com.br

Os recursos Finep/BRDE possibilitaram uma estrutura mais adequada para o Centro de Inovação da Heide, que segundo Ana Carolina, teve sua primeira linha de crédito com o banco em 2012, para maquinários, equipamentos e ampliação. “Nosso relacionamento com o BRDE teve um papel fundamental, ao entender a relevância dos projetos da empresa e adequar os recursos de acordo com nosso tamanho”, concluiu.

O BRDE dispõe no momento R$ 78,8 milhões de recursos FINEP disponível para utilização no Paraná. – Nos últimos três anos, o total financiado pela agência paranaense com recursos da FINEP alcança o montante de R$ 79,1 milhões.

Para mais informações sobre financiamentos do BRDE à inovação, entre em contato pelo e-mail: brdepr@brde.com.br ou visite o site https://www.brde.com.br/servicos/inovacao/

BRDE disponibiliza linha de crédito dirigido exclusivamente para mulheres com R$ 48,083 milhões aprovados

O Programa Empreendedoras do Sul no Paraná movimentou R$ 48,083 milhões em aprovações este ano, tendo sido já efetivados R$ 33,8 milhões em contratos. De acordo com o presidente do BRDE, Wilson Bley, o que o banco está buscando é enfatizar o empreendedorismo feminino como força empregadora e geradora de renda, além de inovadora. “O BRDE sempre teve as portas abertas para as empreendedoras do Sul, mas agora o que fazemos é dar destaque, além de prioridade no atendimento, como forma de fomentar a diversidade no empreendedorismo empresarial e também no campo. São praticamente 34 milhões de reais que já estão sendo administrados por mulheres que geram inovação, renda e emprego”, analisou Bley.

O objetivo do programa é promover o empreendedorismo feminino, com uma linha de crédito para investimentos fixos e capital de giro, para pequenas e micro empresas. Além de aplicar recursos próprios do banco, o BRDE vai operar com fundings nacionais tradicionais e também com captação de fundos internacionais. Vale lembrar que esse atendimento é destinado para empresas de diferentes portes e que no mínimo 50% do capital social sejam de sócias mulheres. O crédito para capital de giro é disponibilizado apenas para pessoas jurídicas com receita operacional bruta de no máximo R$ 90 milhões no ano anterior ao da solicitação de financiamento. Também podem ter apoio empreendedoras que atuam no campo: as produtoras rurais podem acessar linhas de crédito do Plano Safra e outras, de forma direta ou por meio de cooperativas conveniadas ao BRDE.

Como financiar

Para solicitar o financiamento as empreendedoras devem acessar o site https://www.brde.com.br , no ambiente do Internet Banking (IB).Todas as operações serão através da plataforma digital e a documentação deverá ser inserida (upload) também através do site. O app do BRDE também traz as informações sobre o programa.

*Da Redação Bem Paraná

No momento em que a questão ambiental, em especial as mudanças climáticas, se tornaram uma preocupação mundial, o Banco Regional de Desenvolvimento da Região Sul (BRDE) chega a 2022 com um desafio ambicioso: tornar-se o primeiro ‘banco verde’ do Brasil. A idéia é privilegiar o financiamento de projetos sustentáveis, colaborando assim para que a Região Sul cumpra o compromisso assumido na COP26 de neutralização das emissões de carbono.

O responsável por essa missão é Wilson Bley, que assumiu a presidência da instituição em novembro, depois de já ter atuado como vice-presidente e diretor de operações do banco. Além disso, ele também assume o cargo com um objetivo ainda mais elevado: o de transformar o BRDE no maior banco de desenvolvimento do País. Para isso, ele tem como estratégia a pulverização do crédito como forma de ampliar a presença do organismo de fomento na região. Tanto que a carteira de financiamento do BRDE, que era de cerca de 800 contratos, cresceu para 9 mil, com um total de R$ 4 bilhões em recursos disponibilizados em 2021.

Para 2022, Bley vê um cenário nacional de preocupação com o aumento dos juros, mas de otimismo com a retomada econômica da região Sul, impulsionada pela agricultura e pela indústria de transformação. Em entrevista ao Bem Paraná, o presidente do BRDE projeta o futuro próximo da instituição de mais de 60 anos.

Bem Paraná – O senhor assumiu recentemente a presidência do BRDE, mas já foi vice-presidente e diretor de operações então conhece muito bem a instituição. Então eu gostaria de saber qual a avaliação geral que o senhor faz do ano de 2021 para o BRDE?

Wilson Bley – O ano de 2021 foi uma consolidação de várias possibilidades que nós encontramos frente ao processo da pandemia de 2019. A gente vinha em um planejamento que estabelecemos quando entramos no banco. Havia uma determinação do governador para que nós fossemos mais ‘pops’. Mais presente na sociedade tanto na discussão, quanto na formulação das políticas públicas e principalmente, na pulverização dos recursos. A gente vinha trabalhando com essa ótica. Criamos possibilidades novas de trazer recursos, novos ‘funds’ internacionais, o incremento dos ‘funds’ nacionais e também aplicação de recursos próprios em algumas linhas que pudesse dar essa pulverização. Aí veio a pandemia, bagunçou tudo. Mas nós entendemos que a pandemia, que poderia ser uma crise, poderia ser uma grande oportunidade para que a gente pudesse acelerar, a questão desses objetivos que foram planejados no início. E agora 2021 vem nessa consolidação, um horizonte de otimismo, embora estejamos agora enfrentando uma Selic alta. Mas a consolidação dos empréstimos internacionais, novas esteiras, toda a gestão de documentos feita de forma remota, o trabalho virtual que nos trouxe produtividade. Esse ano a gente olha com olhos de sucesso. Vamos passar de R$ 4 bilhões em novas contratações. Uma inadimplência extremamente baixa, de no máximo 0,42%, 0,45%. São quase 9 mil contratos diretos. Temos a parceria com as cooperativas de crédito, o segundo piso, que dá uma pulverização ainda maior desses recursos. O tícket médio diminuiu. E a gente vê com muito otimismo 2022, na consolidação desse processo de deixar o BRDE menos sisudo e mais próximo da sociedade.

 

MEIO AMBIENTE

Metas alinhadas à COP26

 

Bem Paraná – A questão ambiental, em especial as mudanças climáticas são uma preocupação mundial hoje. Como a ideia do banco verde se insere nesse cenário?

Wilson Bley – Nós temos desafios. Estar contemporâneo ao discurso, estar atento ao que a sociedade exige. ESG (em inglês Environmental, Social and Governance, que significa Governança Ambiental, Social e Corporativa) é algo que nós tratamos lá no banco há um tempo. Já tínhamos produtos, o PCS (Produtos e Consumo Sustentável). Já era um produto alinhado à questão de sustentabilidade. Nós criamos programas novos e conseguimos olhar o futuro e identificar que o banco pode ser o primeiro banco verde do Brasil. Identificando questões de sustentabilidade, podendo apoiar projetos da sociedade, podendo financiar com condições diferenciadas para aqueles que estejam alinhadas às metas da COP26, quanto à neutralização do carbono e a mitigação do metano. Este é o projeto que nós temos. Tem dois desafios: um interna corporis. A gente nas nossas ações ter a preocupação diária com a sustentabilidade, e quando a gente trata com os nossos clientes cria algo que eles possam ter o mesmo alinhamento, possam nos acompanhar. Eu acho que a precificação diferenciada, uma esteira diferenciada traga um estímulo maior. E aí a gente vai ter bons clientes parceiros nesse desafio que já foi estabelecido, e que o Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul são signatários deste compromisso da neutralização da emissão de carbono.

BP – Muitos organismos internacionais também têm se comprometido a alocar recursos para projetos e iniciativas na área ambiental. O BRDE pode firmar parcerias com essas instituições no sentido de atrair mais investimentos para o setor no Brasil?

Bley – Nós temos alguns empréstimos internacionais, que nos oferecem ‘funds’ em condições muito especiais. Temos com o Banco Europeu, com a Agência Francesa de Desenvolvimento, com o Banco de Desenvolvimento da América Latina – CAF. A gente conversa agora com a Fonplata, com a Jica. E já temos quatro contratos com três instituições: uma com o BID, outra com o NDBI e outra com o Bird, em processo já assinado, comprometido o recurso, esperando apenas a Secretaria do Tesouro Nacional (STN) nos dar o aval da operação já que ela tem uma garantia soberana, e o contra garantidor foi assumido pelos estados. E a gente vê, com isso, que nós temos uma capacidade ainda maior, de vender essa imagem, de dizer dessa aderência às ODSs (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável). Com essa questão de sustentabilidade. A gente tem a possibilidade de angariar outros recursos, quem sabe até recursos a fundo perdido. Aqui no Paraná nós temos a SPVS (Sociedade de Pesquisa sobre Vida Selvagem), a Fundação Boticário, projetos de prefeituras.

 

PULVERIZAÇÃO

‘Aprendemos com a pandemia’

 

BP – Outro desafio que enfrentamos atualmente é a retomada da economia após a pandemia da covid. Quais as iniciativas do BRDE em relação a isso?

Bley – Nós temos um grande objetivo, além desse banco verde, ser maior e melhor, a gente tem um objetivo estatutário e social que nos motiva e nos dirige. A gente precisa desenvolver economicamente os estados e gerar emprego e renda. Eu creio que não existe política social melhor do que a gente gerar emprego. Eu sempre falo que a cada empreendimento, nós temos um empreendedor, mas quantos empregos diretos e indiretos a gente movimenta nessa escala de poder fornecer um empréstimo de longo prazo para a amortização. Nós temos um grande diferencial dos bancos comerciais. A gente aposta no sucesso do empreendimento. A gente assume aquele empreendimento como um padrinho. Apostando que a realidade que está lá projetada se confirme. Porque por trás dela todo um desenvolvimento social se faz. Eu quando cheguei no banco a gente tinha algumas operações. A característica do banco era fazer poucos contratos, ticketes maiores. Apoiando alguns setores de forma preferencial. Não que nós vamos mudar essas condições. Mas a gente tem que aprimorar essa questão do crédito. Com a pandemia a gente aprendeu. Eu falava sempre para a minha equipe, que por trás daquele pedido de financiamento, e quando a gente falava ‘não’ a eles, a gente não estava fechando uma porta de financiamento. A gente estava fechando a porta de uma realidade, de um sonho que foi criado por aquele empreendedor. Então nós tínhamos que trabalhar de uma forma de estar próximo dele, de dar alento naquele período que era muito difícil. Saímos de 800 contratos para 9 mil contratos. Operações de segundo piso que a gente pensava em não fazer dentro do banco, a gente teve a CAF, o Sebrae, sociedades garantidoras de crédito. Reforçamos as parcerias com as cooperativas de crédito e produção que são nossos grandes parceiros. E acho que com isso nós cumprimos com esse objetivo social dentro da parcela que nós poderíamos atender. No ano passado, nós colocamos 100% das nossas possibilidades de ‘fund’. Nesse ano, da mesma forma. Então acho que esse desafio social, alinhada a essas questões de querer ser o maior e melhor banco de desenvolvimento do Brasil, do banco verde, são motivações e mantras que falamos diariamente no sentido de ter um alinhamento com a sociedade. Todo banco tem uma forma um pouco sisuda de trabalhar. O BRDE talvez um pouco mais, até pelos 60 anos de história. De ser um banco com governança de três estados, no Codesul com quatro estados. Mas nós tínhamos que estar contemporâneos, discutindo com a sociedade. Eu fiz como diretor de operações mais de 200 reuniões aqui no Paraná, corri todas as associações de municípios, associações comerciais. Em Santa Catarina e Rio Grande do Sul não foi diferente. Recebemos muitas críticas. Mas recebemos muitos desafios e principalmente, o que pudemos ver é que temos uma imagem muito consolidada de respeitabilidade, confiança, transparência e assertividade na entrega do crédito. Eu estou muito feliz. Me sinto hoje família BRDE. Já tive uma vida profissional ocupando outros cargos na administração pública. Fui secretário de Estado. Estive com o governador no Paranacidade. E parece que as coisas se casam. Eu assumi a indicação do governador com o grande desafio de dar uma resposta. E a resposta maior é essa resposta social. Essa resposta social com o banco verde, nós vamos ter um sucesso enorme. E aí eu posso projetar que nós seremos o maior e o melhor. É claro que ser maior que o BNDES não é um desafio pequeno. E talvez possa não ser alcançado, mas é bom um desafio grande porque faz a gente trabalhar mais.

BP – Como o senhor vê o cenário econômico brasileiro para 2022?

Bley – Eu vejo dois cenários. Um cenário nacional de preocupação. Uma Selic alta. Majoração dos juros. Alguns estados não estão performando, não estão tendo bons resultados. Vejo por outro lado que o Sul do Brasil tem respostas melhores. E vejo na movimentação e nos pedidos de crédito que a economia está muito aquecida no Sul do Brasil, principalmente por força da nossa agricultura. As indústrias de transformação estão vendo que vender apenas o commodities não seja o mais razoável. Agregar valor a esse commodities, transformar milho em um produto, o porco em outro, acho que é isso que está motivando e nós temos esse cenário com bons resultados na oferta de emprego e da nossa economia. Agora, assim, é sempre uma preocupação, para quem está desse lado do balcão do banco é olhar com uma certa preocupação porque se aumentar muito o juro a inadimplência sobe também, diminui a possibilidade de a gente entregar mais crédito, mas a gente tem que se customizar à realidade. É isso que nós estamos fazendo. Eu me reúno com o G7 a cada quinze dias. Me reúno com várias associações no sentido de entender movimentos. Como foi feito na pandemia. Teve uma situação que nós tivemos de geração de emprego. A Abrasel trouxe uma proposta da gente patrocinar um curso técnico para a área deles. A gente junto com a Fomento Paraná apoiou. Eu fiquei muito feliz que dos 162 capacitados, os 162 saíram com emprego, e com um grande emprego. Inclusive com a possibilidade, logo depois nós customizamos um produto chamado ‘jovem empreendedor’, para eles se tornarem, futuramente em empreendedores. Agora digo para você, preocupação diária, principalmente com as movimentações políticas que podem melhorar as situações ou piorar.