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BRDE Transparente
Responsabilidade Social

 

Guia do Voluntariado

 Núcleo BRDE Responsabilidade Social

Julho de 2002 

Apresentação

               Cresce a cada dia a consciência de que a responsabilidade em atender as demandas sociais não é mais de única e exclusiva responsabilidade do Estado, mas que cada um pode contribuir para a melhoria da qualidade de vida de sua comunidade. Essa postura cria um novo paradigma onde se verifica que é possível parcerias entre Sociedade Civil, Estado e Mercado. Dessa forma, multiplicam-se as iniciativas privadas com fins públicos, o assim chamado Terceiro Setor.

        É dentro deste contexto que se coloca a multiplicação de centros de voluntários pelo país. O trabalho voluntário representa uma das grandes forças para a prática da responsabilidade social de cada pessoa, no exercício de sua cidadania. É através do trabalho voluntário que as pessoas participam da comunidade contribuindo na busca de soluções para as demandas sociais.

        A valorização do trabalho voluntário faz parte das ações elencadas no  projeto BRDE Responsabilidade Social. Desta forma, o Núcleo decidiu em uma primeira etapa aplicar o questionário sobre trabalho voluntário, produzindo um relatório analítico a partir das informações que foram tabuladas, que está disponível no Diretório Público, pasta Responsabilidade Social.

Dos 661 funcionários do Banco, 257 responderam o instrumento de pesquisa, o que corresponde a 38,9% do universo total. Os resultados apontaram um dado revelador: quase a metade dos colaboradores – 46,5% - nunca prestaram trabalho voluntário, mas têm interesse em participar. O grupo que atualmente desenvolve trabalho voluntário representa 14,2 % do total. Outro dado importante: 26,8% já tem experiência anterior em voluntariado, o que demonstra o potencial de crescimento da idéia.

        Considerando os resultados do relatório, o Núcleo BRDE de Responsabilidade Social constatou a necessidade de elaborar um guia que tem como finalidade dar subsídios a quem deseja iniciar a desenvolver um trabalho voluntário, indicando os passos básicos a serem seguidos e onde obter mais informações sobre o tema.

    Lei do Trabalho Voluntário

LEI N.º 9.608, DE 18 DE FEVEREIRO DE 1998.

Dispõe sobre o serviço voluntário e dá outras providências.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA

 Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: 

Art. 1º  Considera-se serviço voluntário, para fins desta Lei, a atividade não remunerada, prestada por pessoa física a entidade pública de qualquer natureza, ou a instituição privada de fins não lucrativos, que tenha objetivos cívicos, culturais, educacionais, científicos, recreativos ou de assistência social, inclusive mutualidade.

   
     Parágrafo único. O serviço voluntário não gera vínculo empregatício, nem obrigação de natureza trabalhista, previdenciária ou afim.

        Art. 2º O serviço voluntário será exercido mediante a celebração de termo de adesão entre a entidade, pública ou privada, e o prestador do serviço voluntário, dele devendo constar o objeto e as condições de seu exercício.

        Art. 3º O prestador do serviço voluntário poderá ser ressarcido pelas despesas que comprovadamente realizar no desempenho das atividades voluntárias.

        Parágrafo único. As despesas a serem ressarcidas deverão estar expressamente autorizadas pela entidade a que for prestado o serviço voluntário.

Art. 4º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.  
Art. 5º Revogam-se as disposições em contrário.  

Brasília, 18 de fevereiro de 1998; 177º da Independência e 110º da República.

FERNANDO HENRIQUE CARDOSO

Paulo Paiva

(Publicado no Diário Oficial da União, de 18/02/1998.)

Dúvidas sobre Trabalho Voluntário

  Quem é o voluntário?

É a pessoa que, motivada por valores de participação e solidariedade, doa seu TEMPO, TRABALHO e TALENTO, de maneira espontânea e não remunerada, para uma causa de interesse social e comunitário.

Quais as habilidades exigidas?
Há um trabalho voluntário adequado para cada um. A pessoa deve desenvolver uma ação voluntária utilizando seus conhecimentos pessoais ou profissionais. O importante é escolher um trabalho que lhe traga satisfação, acima de tudo. Utilizar suas aptidões e conhecimentos, com compromisso e responsabilidade em prol de uma causa em que acredite.


 Que tipo de objetivo se deseja atingir?
O trabalho voluntário é uma das maneiras pelas quais os cidadãos se mobilizam e agem para melhorar a qualidade de vida da comunidade. Há diversas formas de atuar individualmente, em grupo ou nas organizações sociais que abraçam diversas causas e oferecem inúmeras oportunidades de trabalho voluntário.

Quais as diferentes possibilidades de trabalho voluntário?

Participar de alguma campanha
Por exemplo: campanhas pela paz, pelo trote cidadão, por um voto consciente, para a doação de sangue, coleta de livros, de brinquedos, agasalhos, reciclagem, etc.

Realizar ações individuais
O voluntário pode identificar necessidades comunitárias ou individuais e agir para minorar ou solucionar estes problemas. Por exemplo: Alfabetizar, dar reforço escolar, oferecer serviços específicos relacionados a sua profissão, arrecadação de livros.

Juntar-se a grupos comunitários
Apoio a alguma necessidade específica da comunidade: problemas específicos de urbanização, saneamento, saúde, escola pública, associação de moradores.

Formar um grupo de trabalho
Identificar alguma necessidade e formar um grupo de voluntários para a busca de uma solução.

Participar de projetos públicos
Projetos de melhoria da cidade: Secretaria do Verde, da Saúde, da Educação, de Assistência Social, Esportes, Justiça.

Procurar alguma escola pública ou particular
Participar da APM da escola de seus filhos ou de outros projetos ligados ao voluntariado.

Procurar uma Organização Social
Participar do corpo de voluntários de alguma organização social com a qual o voluntário se identifique, na área de atuação e público de sua preferência. Procurar diretamente, por indicação de outros voluntários ou no Centro de Voluntariado de sua cidade.

Áreas de Atuação

        Considerando os resultados obtidos na pesquisa sobre trabalho voluntário realizada junto aos funcionários do BRDE, as principais áreas de interesse apontadas para atuação foram Assistência Social (27,1%) e Educação (22,62%). A seguir, são apresentados alguns exemplos de atividades que podem ser desenvolvidas nestes dois setores, independente do engajamento em uma organização social.

Educação

· Educação formal e informal para crianças, jovens, adultos e idosos;
· Programas de alfabetização, reforço escolar e capacitação profissional;
· Organizar aulas e concursos de redação;
· Organizar atividades extra-curriculares, como oficinas de capacitação profissional, artesanato, iniciação à informática, culinária, corte e costura, jardinagem, horticultura, cenografia, fotografia, vídeo etc.
· Organizar atividades que envolvam esportes, jogos, passeios, excursões, piqueniques;
· Dar aulas de alfabetização para jovens e adultos;
· Fazer mutirões de reforma e pequenos consertos em escolas.

Assistência Social
· Cuidados e educação para a saúde física e mental;
· Campanhas preventivas;
· Prestação de primeiros socorros;
· Trabalhar em hospitais;
· Visitar doentes internados em hospitais e dar apoio emocional e psicológico a seus familiares;
· Ajudar pacientes que obtiveram alta hospitalar;
· Organizar atividades recreativas e artísticas em hospitais;
· Incentivar a formação de grupos de auto-ajuda e apoio mútuo;
· Doar sangue e participar de campanhas de incentivo à doação;
· Defender os direitos e dar assistência social a pessoas carentes;
· Ajudar na acolhida e atendimento a crianças em creches ou internatos;
· Ajudar na acolhida e atendimento a idosos abrigos ou asilos;
· Preparar e distribuir refeições para famílias e pessoas que vivem na rua;
· Dar aulas de prevenção a diversos tipos de doenças e riscos;
· Atividades que resgatam a auto-estima, visando a promoção humana e suprindo as necessidades básicas de crianças, idosos, população carente, excluídos, pessoas em situação de risco e vítimas da violência;
· Auxílio e assessoria jurídica;
· Orientação para obtenção de registros e documentos.

Dicas

Voluntariado é ação
O voluntário é uma pessoa criativa, decidida, solidária. Não é preciso pedir licença a ninguém antes de começar a agir. Quem quer, vai e faz. Claro que quando a ação se dá no interior de uma instituição - como uma escola, uma biblioteca ou um hospital - a contribuição do voluntário deve estar bem articulada com as necessidades e procedimentos da entidade que o recebe.

Voluntariado é compromisso

Cada um contribui, na medida de suas possibilidades, com aquilo que sabe e quer fazer. Uns têm mais tempo livre, outros só dispõem de algumas poucas horas por semana. Alguns sabem exatamente onde ou com quem querem trabalhar. Outros estão prontos a ajudar no que for preciso, onde a necessidade é mais urgente. Cada compromisso assumido, no entanto, é para ser cumprido. Uma pequena ação bem feita tem muito valor. Nada é mais decepcionante do que prometer e não ser capaz de realizar.

Cada um é voluntário a seu modo
Alguns são capazes individualmente de identificar um problema, arregaçar as mangas e agir. Outros preferem atuar em grupo. Grupos de vizinhos, de amigos, de estudantes ou aposentados, de colegas de trabalho que se mobilizam para ajudar pessoas e comunidades. Por vezes é uma instituição inteira que se mobiliza, seja ela um clube, uma igreja, uma entidade beneficente ou uma empresa. No voluntariado é assim: não há fórmulas nem receitas a serem seguidas.

Voluntariado é uma ação duradoura e com qualidade
O voluntariado não compete com o trabalho remunerado nem com a ação do Estado. Sua função não é tapar buracos nem apenas compensar carências. Uma sociedade participante e responsável, capaz de agir por si mesma, não espera tudo do Estado. Assume também a sua parte sem abrir mão de cobrar dos governos aquilo que só eles podem fazer.

Voluntariado é uma ferramenta de integração social
Compartir alegria e aliviar o sofrimento de outros, melhorar a qualidade de vida em comum é um direito de todos. Todos têm o direito de ser voluntários. Os jovens, as pessoas portadoras de necessidades especiais, os aposentados e os idosos têm muito a contribuir com seus valores, experiência e criatividade. Assegurar a todos o direito de ser voluntário significa construir uma sociedade mais tolerante com as diferenças, mais solidária e unida.

No voluntariado todos ganham: o voluntário, aquele com quem o voluntário trabalha, a comunidade
Ao mobilizar energias, recursos e competências em prol de ações de interesse comum, o voluntariado combate a indiferença, a discriminação e a exclusão social, fortalece a solidariedade e a cidadania, reforça o fato de todos pertencerem a uma mesma sociedade. Ajudando aos outros, ajudamos a nós mesmos e a todos.


10 passos para trabalhar com filantropia
   

1. Defina com que tipo de carência você quer trabalhar – crianças, idosos, deficientes físicos, mães solteiras, etc.

2. Se você não tem idéia da instituição com a qual quer colaborar na condição de voluntário, procure um dos 36 centros de voluntariado existentes no país. Essas organizações ajudam os interessados a descobrir a melhor maneira de se integrar a uma das inúmeras instituições que necessitam de colaboradores. Os centros são importantes principalmente porque abrem o universo de possibilidades dos candidatos. Também pode-se consultar a internet para ter informações de oportunidades para exercitar a solidariedade.

3. Aproveite sua habilidade em vez de tentar ser útil fazendo o que não entende.  Se o seu perfil tem a ver com negócios, saiba que a área de captação de recursos é a que mais precisa de voluntários, já que o maior problema das instituições filantrópicas ainda é a falta de dinheiro.

4. Esteja aberto para desempenhar tarefas que você jamais imaginou ser capaz de cumprir. Uma função-chave no voluntariado é o atendimento ao público.

5. Não se sinta pressionado a trabalhar demais. Algumas pessoas se vêem na obrigação de dedicar todo o tempo livre ao trabalho voluntário. O tempo médio doado pelos voluntários brasileiros é de seis horas por mês.

6. O bom voluntário deve controlar o voluntarismo. Um problema comum das entidades é que o entusiasmo dos voluntários acaba antes de o trabalho ser feito. O voluntário ideal precisa envolver-se emocionalmente com o trabalho, mas não pode deixar de lado o profissionalismo e a objetividade. A pessoa deve saber cumprir as regras e respeitar a hierarquia das instituições.

7. Seja humilde. O fato de você estar ajudando os outros não significa que você será paparicado e que seu trabalho não possa ser criticado.

8. Saiba quem são os responsáveis pelas instituições, procure conhecê-los e informar-se sobre o tempo que dedicam às entidades.

9. Aproxime-se de alguns dos voluntários e pergunte sobre o trabalho desenvolvido na instituição. Quem está envolvido com um projeto conhece os méritos e as falhas associados a ele.

10. Uma maneira simples de doar é dar dinheiro aos Fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente. É a única forma de contribuição que permite deduzir o valor doado do imposto de renda. De acordo com a lei, o limite da dedução para pessoa física é de 6% do valor doado.

Direitos e Responsabilidades do Voluntário 

Todo voluntário tem direito a: 

-       Ser respeitado quanto aos termos acordados em relação a sua dedicação, tempo doado e disponibilidade assumida.

-       Ter a oportunidade de desenvolver uma tarefa que valorize e aproveite ao máximo sua capacidade, de acordo com seus conhecimentos, experiências e interesses.

-       Receber apoio no trabalho que desempenha.

-       Ter a possibilidade de real integração como voluntário na instituição na qual presta serviços; ou seja, ter acesso a informações e descrições claras das tarefas e responsabilidades que lhe cabem.

-       Participar das decisões que dizem respeito ao seu trabalho.

-       Receber reconhecimento e estímulo.

-       Ter um ambiente de trabalho favorável.

-       Solicitar mudanças no seu trabalho sempre que desejar.

Todo voluntário tem a responsabilidade de:

-       Conhecer, respeitar e cumprir os regulamentos, normas e objetivos da organização social a qual pertence.

-       Ser responsável e profissional em seu trabalho na Organização Social.

-       Ser um multiplicador da cultura do trabalho voluntário, por intermédio de sua própria experiência.

Orientações aos Voluntários

 1.       Telefonar para a Organização Social e combinar, com o Coordenador de Voluntários, o dia e o horário de sua apresentação ao local.

 2.       Informe-se sobre o acesso à Organização Social: ônibus, paradas, pontos de referências e outros dados que facilitarão sua chegada.

 3.       Na primeira visita à Organização Social, defina com o Coordenador de Voluntários quais serão os dias e horários para a prestação do seu Trabalho Voluntário.

 4.       Combine quais serão as suas principais atribuições e em que isso é importante para a missão da Organização Social.

 5.       Informe-se, também, sobre o funcionamento, as principais atividades e características da Organização Social.

 Como tornar-se um voluntário

1. Escolha o tipo de trabalho do qual você goste, e não apenas aquele que julgue ser o mais importante.

2. Procure fazer mais das coisas que você sabe e menos das que desconhece. É bom aprender algo com a entidade, mas você precisa, antes de tudo, ser útil.

3. A internet é ótima para encontrar informações sobre entidades que precisam de ajuda. Eis alguns endereços:

http://
www.portaldovoluntario.org.br

http://www.facaparte.org.br

http://www.voluntarios.com.br

http://www.filantropia.org.br

4. Visite a instituição que pretende ajudar e se informe sobre tudo o que será preciso fazer. É péssimo largar o trabalho pela metade porque não está gostando.

5.  Procure uma instituição próxima de sua casa. A distância costuma atrapalhar o trabalho voluntário.

Pesquisa sobre o trabalho voluntário

 





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